Saímos de Roncesvalles na esperança de que a caminhada seria mais fácil. Mas... não foi. Diziam que a subida não seria tão íngreme quanto no primeiro dia, mas, teve subidas bem cansativas e planos mais tranquilos.
Na primeira vilazinha compramos maçãs, uma laranja e um chocolate. Ainda tínhamos pão, queijo e linguiça. A paisagem era linda como no primeiro dia. Igor tirava fotos de tudo. Decidimos parar mais vezes para descansar. Afinal, tínhamos todo tempo do mundo para curtir. Pelas 14 horas abrimos nosso colchonete e deitamos. Dormi uns quinze minutos e cheguei a sonhar. Igor teve "saiden schtich", uma dor muito forte no lado esquerdo, abaixo das costelas.
Fiquei preocupada com ele pois sentia também muita dor na omoplata porque carregara peso demais no dia anterior. Por isso eu mesma carreguei minha mochila. Nas subidas eu tentava fazer respiração rítmica para aguentar melhor. Acho que funcionou porque aguentei melhor. Lamentei caminhar tão devagar. O Igor, com certeza, caminharia bem mais rápido se estivesse sozinho. A Mônica e o Alexandre (casal de Brasília) fizeram o trajeto em duas horas a menos do que nós porque eu não consigo caminhar mais depressa. É verdade que eles não levavam suas mochilas. Segundo o Igor, o verdadeiro peregrino tem que carregar sua mochila. Levamos dez horas para os 27 km. Apenas uma hora a menos do que no primeiro dia.
Chegamos a Larrasoaña às 17 horas. Encontramos um albergue municipal. Encontramos e conhecemos Isca e Iris, duas alemãs. Eu as ouvi falando alemão quando tentei treinar um pouco o meu . Igor falou espanhol com Isca e inglês com Iris.
Jantamos: sopa de alho, um mexido de carne e batata acompanhados de vinho, e, de sobremesa um sorvete. A servente era muito bonita. O lugar também nos impressionou: parecia ser um porão numa construção antiquíssima. Muito aconchegante, ameaçava chover, antes da janta. Trovões e relâmpagos do jeito que eu adoro. Decepção: caiu apenas uma chuvinha passageira.
Conhecemos também duas espanholas: Isabel e Catarina (Cati) que ao saberem das dores do Igor (omoplata) ofereceram uma pomada que o aliviaria. Fomos ao albergue delas e realmente a pomada e a massagem da Cati foram milagrosas.
O Igor passou o dia preocupado com o que faríamos porque achava que eu não aguentaria e também ele tivera muita dor. Sugeri tentarmos até onde desse: dia por dia. Eu supunha que a gente aprenderia a caminhar.
Esse lugarzinho, lindo e tranquilo nos marcou e ficou gravado em nossos corações.
Todo suicida voa
Há um mês










































