Fazer um diário de bordo era meu desejo desde que comecei a planejar essa viagem com minha mãe, porém, como da última vez não consegui, tinha minhas dúvidas.
Por sorte encontrei um bloco perdido no chão de um ônibus que tomamos em Madri em direção a Sarria. Esse bloco parece que pertencia a alguém que tinha muitas encomendas, e, de acordo com os endereços de albergues, parece que tinha feito o mesmo caminho que nós.
O primeiro dia é muito extenuante, é a soma de diversos cansaços com uma extensa viagem que incorpora trechos em avião ônibus e táxi. Já não dormimos bem no brasil devido a ansiedade, o avião é completamente desconfortável e propiciou apenas alguns ligeiros cochilos. Chegamos a Madri com uma diferença de fuso horário de 4 horas. Quando fomos a alfandega, fiquei extremamente feliz com nossa sorte, éramos praticamente os primeiros da fila, claro que havia me esquecido de que tínhamos que ter preenchido o cartão de declaração e, depois de uma cara emburrada do guarda, tivemos que sair da fila para o preenchermos, quando voltamos a fila estava enorme. Soma-se a esse cansaço a expectativa de receber os carimbos e não sermos mandados de volta.
Passado o sufoco da alfandega pegamos nossas mochilas e fomos em busca do ônibus que nos levaria a estação. Impressionantemente eu ainda fui me recordando do aeroporto e lembrei de onde ele parava.
Chegamos a estação e compramos nossas passagens para Sarria, de lá teríamos que pegar outro ônibus até pamplona. Levamos duas horas e meia até Sarria e mais duas e meia até Pamplona. Quando me preparava para a viagem uma amiga me deu um número de táxi para ligar quando quisesse ir de Pamplona a Saint Jean (Hector se não me engano), pois os valores cobrados nesse trecho são absurdos para nós que recebemos em reais. O taxista estava ocupado, mas enviou David, um jovem e conversador motorista (me lembrei que os espanhóis utilizam constantemente a expressão "Vale" que David usava), namorado de uma paranaense, que nos levou em uma hora e quinze minutos até nosso destino. O valor acabou saindo não muito mais barato, mas estávamos contentes de chegar.
Quando desembarcamos estava tarde, a maioria da pequena cidade estava fechada e David nos levou para a hospedaria que conhecia. Por coincidência (ou por ser uma das únicas que fica aberta até tarde) ficamos novamente na pousada da Maria do Camino, a mesma de 2007. É uma hospedagem cara mas não tínhamos muitas opções. Deixamos nossas coisas e fomos comer, estávamos o dia todo de jejum. Nossa primeira refeição em terras estrangeiras.


http://picasaweb.google.com/espanha2009igor/1BhASaintJeanPiedPort17mai2009#







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