Como na noite anterior estivéssemos sem sono, arrumamos nossas bagagens e conseguimos arrumar tudo em duas sacolas. Temíamos não conseguir acomodar tudo pois compramos muita bugiganga. Com isso dormimos tranquilos até as nove horas. Arrumamo-nos, deixamos as malas na portaria, entregamos a chave com certo alívio mas também com pesar. Estava acabando uma fase deliciosa de nossas vidas. Não sei se algum dia ainda teremos momentos tão nossos, só de nós dois. Como planejáramos fomos visitar o castelo real. Antes, pela primeira vez tomamos um café da manhã ao ar livre. Um domingo de manhã em Madri. Tínhamos todo tempo do mundo e eu não queria que isso acabasse. Ao chegarmos ao palácio acabara de iniciar a visitação. Subimos aquelas escadarias imaginando reis e príncipes, princesas, histórias mil. Eram salas, salões, quartos de dormir... Pinturas... Obras de arte... Laboratórios farmacêuticos da época... O que mais nos encantou foi a coleção de cinco Stradivarius. Todo resto é só luxo, e mais luxo.
Mais impressionante ainda é o museu de aparatos militares: armaduras para soldados e cavalos, armaduras para príncipes de quatro, sete a catorze anos. Imaginamos uma criança presa numa armadura daquelas. Lanças pesadíssimas. Não sei como podiam carregá-las, muito mais lançá-las contra o inimigo.
Dali fomos ver a catedral que fica em frente ao palácio. Havia iniciado uma missa: 14 hs. O Igor aceitou assisti-la comigo.
Depois, mais um parque. Imenso. Parece que era o jardim do palácio, mas hoje está aberto ao público. Caminhamos muito, sentamos, observamos os passarinhos, crianças brincando e o mais incrível: um monumento que a Espanha recebeu de presente do Egito com mais de 2.500 anos, em agradecimento pela ajuda que recebeu da Espanha. Ele foi todo desmontado e aqui remontado pois é composto de enormes blocos de pedra de areia.
Eram mais ou menos dezesseis horas quando o Igor sugeriu de irmos mais cedo ao aeroporto. Iríamos pelas dezoito horas. Eram 16,30 hs quando, retirada a nossa bagagem no hotel, pegamos três metrôs rumo ao aeroporto.
Retiramos ali a bagagem que deixáramos guardada com nossos cajados, reordenamos nossas mochilas e uma sacolona. Tudo estava dando certo. Estávamos ansiosos pela restituição do imposto de nossas compras e com receio de termos ultrapassado nossa quota por causa da máquina fotográfica.
Queríamos ir a pé até o local do embarque quando uma atendente a quem pedíramos informações perguntou: Vão andar cinco quilômetros? Fomos, então de ônibus que estava praticamente vazio. A atendente também nos dissera que provavelmente não conseguiríamos levar os cajados. O ônibus atende somente o aeroporto e é gratuito.
Decidimos despachar logo a bagagem para ficarmos mais tranquilos. Ao chegarmos ao guichê fomos recebidos por um atendente simpático que nos recebeu falando português, pela primeira vez na Espanha. Ele tornou tudo muito fácil. Disse que poderíamos, sim levar nossos cajados. Enrolou-os com muito cuidado, plastificando-os.Pôs nossas mochilas em sacos plásticos e despachou tudo dizendo que somente os retiraríamos em Belo Horizonte. Livres dessa preocupação fomos ao BBV e sem problemas recebemos a devolução do imposto das nossas compras. Com uns dólares a mais fomos procurar um perfume que o Igor queria muito: "Versace". Eu aproveitei e comprei bastante chocolate. E... esperamos a hora do embarque: 22,50.
O avião oferecia música e filmes. Como não estivéssemos com sono olhamos os filmes. Depois cochilei. Parece que o Igor não conseguiu dormir e viu filmes a noite inteira.
De madrugada, quando o avião chegou perto da costa fomos acordados pelo comandante pois entraríamos numa zona de turbulância e teríamos que ficar em nossos lugares até novas ordens. Faltavam três ou quatro horas para o término da viagem. Não deu para perceber muito essa turbulência, só que o tempo demorou mais a passar. O Igor sentia muita dor no pé e a minha perna queimava. Mas, finalmente, depois de dez horas de vôo, às quatro e trinta e cinco o comandante anunciou que estava autorizado a aterrissar.
Ainda estávamos com medo da alfândega nos pegar por causa do limite mas ainda não foi desta vez. Indicaram-nos um saguão que estava deserto e não eram ainda seis horas da manhã. Nosso avião seguiria às oito e trinta. Pelas oito horas nos avisaram que não seria assim pois em Belo Horizonte não haveria teto por causa da neblina. Finalmente às dez horas veioa ordem para embarcarmos na última etapa da nossa viagem e às onze horas o avião aterrissou mais uma vez. Mais uma vez teríamos que passar pela polícia, esperar a bagagem, (nossos cajados também vieram) e passar mais uma vez pela fiscalização. Quando viram nossas mochilas e cajados o velhinho só perguntou se não tínhamos queijo ou jamon. Com nossa negativa ainda perguntou simpático como fora nossa peregrinação e nos liberou. Que alívio!!! Estávamos em casa. A Fernanda e o Ernesto estavam a nossa espera. Chegando em casa, mesmo sem banho, depois de trinta e duas horas só queríamos uma cama. Foi o que fizemos. Mas, não dormimos muito. Pelas dezessete horas acordamos, tomamos um banho delicioso e desfizemos as malas. Separamos os presente e fomos procurar uma pizza bem ao gosto do Igor: saborosíssima. O Igor não se conteve e ainda organizou todas as fotos colocando-as na internet e... finalmente teríamos uma noite se sono em casa, sem hora para levantar apesar do Igor que teria que enfrentar seu primeiro dia de trabalho depois de umas férias tão especiais.
Todo suicida voa
Há um mês

































