Está uma bagunça essa nossa segunda viagem, agora só em sonhos. É que o Igor ficou ausente alguns dias e agora ele me passa a perna, correndo na minha frente. Mas eu... continuo no meu passo. Enquanto ele já está em Carrion, fiquei em Fromista, que eu amei,principalmente pelas aves que fazem seus ninhos no alto das torres: as cegonhas. É algo indescritível! Pode-se ficar horas a observá-las: indo e vindo. São lindas!
Depois de uma noite de pesadelos em que me senti perdida (Sonhei que a senhora que nos recebeu, a hospitaleira, estaria desenganada, com câncer.) deixamos Fromista às 6,30 horas. A caminhada esteve a melhor até aquele momento pois ficou nublado todo tempo. Algumas pontadas no dedão do pé direito, sentindo um pouco a bolha do pé esquerdo e uma cãimbra começando na perna direita, dores nos ombros e só. Não teve subidas, tudo plano, plantações de trigo infindas. Com o universo conspirando ao nosso favor chegamos mais rápido que nos outros dias: às 11,30 hs. Portanto, o que no início e com subidas levávamos 2,30 hs, depois 3hs, nesse dia fizemos 4km por hora.
O albergue que encontramos é do Monastério de Santa Clara, irmãs clarissas.O melhor até agora pois tem só quatro camas por quarto. Tivemos a companhia de dois senhores. O chuveiro delicioso. Aliviei minhas costas com a força da água. Descansamos um pouco e com isso perdemos o horário do super mercado pois na Espanha tudo fecha, até o comércio, das 14 às 17 horas. Passeamos pela cidade, fotografamos seu rio maravilhoso, as praças deliciosas, amores perfeitos exuberantes . Depois compramos uma janta de micro ondas. Voltando ao Mosteiro jantamos, lemos um pouco e eu fui à missa e bênção dos peregrinos. O Padre explicou-nos sobre as obras de arte da igreja (Nossa Senhora do século XII)
Ao voltar encontrei o Igor, já dormindo. E, é claro, eu também me recolhi. Achei chique demais dormir num mosteiro de clarissas. Infelizmente, como elas se escondem, não tivemos a sorte de encontrar alguma delas.Aliás, há anos atrás (na minha juventude) sonhei em me tornar clarissa.
Tenho ainda hoje um carinho muito especial por esse modo de vida. Admiro-o muitíssimo.
Todo suicida voa
Há um mês
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