Achei interessante que o Padre quando nos deu a bênção dos peregrinos, pedindo que cada um falasse sua nacionalidade, se dirigiu a cada um em sua língua. Pa ra mim ele disse apenas "Muito Obrigado".
Peço tanto, cada dia, enquanto caminho, por todos os meus: força, luz, coragem nos momentos difíceis. Nesse dia, principalmente, tive muita dor nos pés com umas cinco bolhas nos dois pés. Na noite em Estella, tive que dormir na cama beliche de cima 9separada do Igor) e para descer tive caimbra violenta que me doeu no início da caminhada e depois nos dois descansos. Mas, disse-me um companheiro grisalho: "Assim o caminho tem mais valor (com os pés em frangalhos). " Outra coisa são os ombros: o peso da mochila faz-me andar meio curva e há momentos em que a dor é insuportável. Você tem vontade de gritar de dor.
O velhinho grisalho (lindo) também elogiou o Igor por fazer o caminho com "la madre". "Isso é mui bello", dizia ele. E ele, realmente estava incansável. Sempre me ajudava a por e tirar a mochila. Acho que sozinha nem conseguiria colocá-la. Carregava a bengala quando eu sentia muita dor nos ombros. E eu nem precisava me queixar. Ele sempre adivinhava.Na noite de nossa chegada em Los Arcos, me apresentou todo feliz a um morador da cidade com quem fizera amizade: Francisco Xavier que lhe pagou uma garrafa de champagne e cerveja.
Adorava vê-lo falando com todo mundo: em espanhol, em inglês.Até brincava com seu pouco alemão e francês. Mas a sua companhia foi gostosa demais. às vezes queria forçar-me a pedir as coisas para que eu treinasse meu espanhol, mas eu sei muito pouco. Sou tímida, e ele acabava fazendo a solicitação. Também, dizia eu: foi você que inventou a brincadeira... que arque com as consequências. Essa experiência de integração com todos os povos foi divina.
Todo suicida voa
Há um mês
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