sábado, 29 de maio de 2010

29/05/2009 - sexta feira

Senhor Henrique, atenciosíssimo, acordou-nos com uma música gregoriana cantada às 6,45 hs. Preparou e tomou café conosco. Serviu-nos pessoalmente: 7 pessoas. No dia anterior, quando de nossa chegada ao albergue, e nos apresentarmos como mãe e filho, ele felicíssimo disse: "Vocês são uma bênção aqui." Ao nos despedirmos repetiu isso e desejou-nos muitas bênçãos para o caminho.
Havia duas opções de caminho a partir dali: um, francês, todo arborizado, com lugares de descanso, plano, e, o outro, o caminho romano que nos desaconselharam por ser mais deserto e menos usado. Escolhemos o francês. Saímos às 8,15 . Fizemos 18 km em cinco horas. De início estava gostoso: não havia vento, nem pedras, nem sol forte. Pudemos caminhar com manga curta. Colhemos flores pelo caminho para enfeitar nossas bengalas. De ambos os lados, plantações de trigo ou terrenos preparados para o plantio. Avistamos algumas vezes ao fundo, à direita,a neve nas Montanhas de EuropaPor todo caminho havia uns cocozinhos como de capivara. Perguntamo-nos de que bichinho seria. Até que num gramado no qual descansamos descobrimos serem de ovelhas pela quantidade de lã espalhada pelo local. Perto do meio dia com o sol já mais quente vimos vários lagartinhos se deleitando ao sol e que com nossa passagem se assustavam e procuravam suas toquinhas. Depois de lancharmos, preparamo-nos para mais umas duas horas de caminhada, pelos nossos cálculos, quando eis à nossa frente: El Burgo Ranero. Eram 12,45 hs. O albergue, gratuito estava fechado. Abriria às 13,30.
Na entrada da cidade uma bênção: uma revoada de oito cegonhas que bailavam no céu. Foi lindo: primeiro apareceram quatro, logo mais duas e outras duas. Eu disse ao Igor: vieram nos recepcionar. E ele bem que o merecia pelo carinho com que as observou e fotografou na sua primeira peregrinação. Numa caminhada pela cidade, pequena, como muitas desse interior espanhol, uma das imagens mais lindas foi o ninho das cegonhas. Na torre da igreja, um ninho de cada lado e a mãe ciosa cuidando dos filhotes. Quando, quase no albergue , voltei-me para observá-las uma vez mais, surpresa: Os três filhotinhos se ergueram no ninho sob a atenção da mamãe cegonha. E, é claro, ele as fotografou.
O coaxar variado das rãzinhas a nossa passagem também nos encantou.
às 17 hs, já com fome, jantamos: feijoada, mexilhões, tomate e pão. Gastamos pouco nesse dia. O resto do dia passamos conversando com o casal Divina(79 anos) e Leandro (84 anos). Eles nos contaram que as cegonhas vivem aqui desde março a setembro, época em que procriam, quando então fogem do frio endo para a África onde não procriam. O casal mora ali. Sentem-se muito sós, por isso à tarde vem ver os peregrinos e tentam contactá-los. Seus filhos
foram para centros maiores. O lugar é pequeno, com 310 habitantes e não tem muito futuro.
"Chopo", nos disseram eles, é o nome da árvore linda que solta uma lãzinha por toda Espanha. Como estou com uma tossezinha chata, a Divina achou que era alergia que é o que a lãzinha provoca em muitas pessoas nessa época. Eu acho que é do vento gelado que nos castigou no dia em que saímos de Carrion de Los Condes. Jean Pierre é o nome do hospitaleiro desse albergue.

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