Saímos de Carrion de Los Condes às 7,30hs. Dormimos um pouco mais do que nos outros dias. Aliás, todos os albergues estabelecem um horário máximo para nossa saída. É que a tarde já chegam outros peregrinos e todos eles , como nós, encontrarão tudo limpinho a sua espera.
Foi uma reta só de planícies e plantações de trigo cercadas de um tipo de árvore muito linda e esguia servindo de paravento para as plantações. À direita, no horizonte longínquo vimos algumas montanhas com neve, os Picos de Europa. E o Igor, louco de vontade que nevasse. O céu nublado amainou o início da caminhada mas soprava um vento gelado que nos fez proteger as orelhas. Paramos umas três vezes, principalmente quando meu ombro esquerdo reclamava. Seriam só 17 km mas a cidade de Calzadilla de La Cueza não aparecia. Até que, de repente, ei-la numa baixada com um albergue bem na entrada. Um lugarzinho pequenino, sem supermercado mas que para surpresa nossa tinha como dono, ou hospitaleiro um brasileiro. Seu ajudante um simpático baiano, "Nenê", com doutorado em fisioterapia e que recebe o pessoal com muita simpatia e organização. Outro rapaz que sintonizou muito com o Igor, Bart Simpson, búlgaro, que já fez 1.800 km de caminhada passando pela África e vários outros países, estava acompanhado por um lindo pastor alemão. Depois de um banho gostoso, roupas lavadas, um almoço de pão,, frutas, linguiça e queijo descansamos num gramado ensolarado com piscina. De repente apareceu outro brasileiro Marcelo Nicoletti, de Santa Catarina que tem um livro publicado sobre sua primeira pergrinação. Conversamos, fizemos amizade. Depois o Igor fez curativo nos meus pés. A Hedwig, alemã com quem fiz amizade fez questão de fotografar esse momento. Batemos também um papo com Nenê que nos falou de sua família do Brasil, dos seus pais, de sua filha de 20 anos, Maiara (ele tem 42 anos, com cara de guri). Gostamos muito também do Charles, camareiro do hotel, muito querido e o César, dono do albergue e do hotel, simpaticissimo. Jantamos no hotel. Igor aceitou o convite e assistiu ao jogo do Barcelona enquanto eu me recolhia.
Todo suicida voa
Há um mês
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