De Molina Seca até Ponferrada fomos bem.Ainda não eram dez horas e tudo abriria só às 11 horas. Por isso decidimos continuar. Foi a pior furada pois passamos por três povoados que não tinham alberguee com isso caminhamos durante oito horas e quarenta e cinco minutos. Ao entrar na cidade, nem uma alma viva. Parecia uma cidade abandonada. Até as marcas do nosso caminho desapareciam e não conseguíamos mais caminhar. Estávamos sem forças. Tínhamos vontade de nos deixar cair em qualquer calçada, em qualquer lugar, tanto o Igor, quanto eu. Atravessamos toda Cacabelos até acharmos o albergue fora do outro lado da cidade. O bom é que tinha só duas camas por quarto. Caí na cama, literalmente. Tremia de frio e de dor. Ao tentar levantar, afinal eu tinha que ir ao banheiro, senti-me como se jamais fosse caminhar. A minha perna esquerda não me obedecia mais. Acho que foi a pior dor que já suportei e chorei de dor, de decepção e a certeza de que eu não chegaria ao fim do caminho. Com a ajuda do Igor e a bengala, arrastei-me ao banheiro. Foi quando Rafael, o peregrino que em Molina Seca já impusera as mãos sobre o pé do Igor, perguntou-me se eu queria ajuda. Ajudou-me com o Igor a ir até o quarto, me cobriu com o cobertor, eu tremia toda, e energizou minha perna. Parei de tremer e relaxei um pouco. Pretendíamos ficar mais um dia ali no albergue mas eles não tinham essa opção. Era um pernoite por peregrino e só. O que faríamos? Foi a dúvida mais cruel de todo caminho. Sabíamos apenas que no dia seguinte às 9,45 hs haveria um ônibus até Villa Franca del Bierzo. Esperaríamos amanhecer para decidir...
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