Passei a noite inteira com dor. Pela primeira vez tive um cantinho só pra mim. Longe dos demais. Igor ficou pertinho no salão dos demais. Iríamos decidir de manhã o que fazer, dependendo de como passaríamos a noite. Quando acordei constatei que provavelmente não aguentaria caminhar. Fomos então à procura de alguém para mandar pelo menos a mochila. Ele queria cobrar 15 euros. Achamos um absurdo. Com essa caminhada inicial eu sugeri que talvez pudéssemos caminhar. Quando estou em movimento parece que a dor diminui. Os primeiros passos são sempre difícieis. Depois dói, mas consigo caminhar. Decidimos que iríamos até onde fosse possível. E... apesar de tudo, curtimos pois a natureza era deslumbrante! Árvores antigas com troncos retorcidos... Os pássaros... água, barro, vento, chuvisco... Foi um dia maravilhoso!!!
O bom é que havia marcos em cada meio quilômetro. Mesmo assim, Ferreiros, nossa próxima parada, demorou a chegar. O albergue estava novinho e aconchegante. Jantamos num bar ao lado e depois ficamos observando um senhor retirando suas vacas leiteiras de um potreiro para recolhê-las ao estábulo. Eram 22 vacas. Um cachorro pastor alemão o acompanhava. Eram vacas holandesas dessas que papai tinha (manchadas de preto e branco). Todas elas com tetas enormes estourando de leite. Igor fotografou-as.
Durante o caminho tomei Dorflex. Acho que isso me ajudou a sentir menos dor. No albergue conheci uma homeopata que me deu um comprimido de arnica e outro para dormir. Seu nome Karin. São os anjos do caminho ... que aparecem quando menos esperamos, ou... quando deles precisamos. Esse lugar me deu saudades de Sampainho... de papai... mamãe... Estejam onde estiverem... vocês estão sempre comigo.
Todo suicida voa
Há um mês
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