Igor saiu às sete horas. Doeu-me o coração vê-lo partindo sozinho... Nós saímos às 7,45, de carro. Chegamos em pouco tempo à Cruz de Ferro com o austríaco Joseph. Muito atencioso foi ao carro buscar um cobertor para mim pois fez muito frio. Às 8,30 chegou o Igor. Tiramos foto. A filha do Senhor Joseph, Catarina, demorou um pouco mais. Igor continuou às 8,45. Nós ficamos esperando Catarina.
Chegamos à Monjarim onde um peregrino decidiu há três anos dedicar-se aos demais peregrinos. Tomás, fez o caminho, largou tudo e se fixou numas ruínas onde fez sua casa de coisas que foi juntando: tábuas, telhado de plástico... Aos que passam oferece chá, café, bolacha, e, se precisarem, pernoite.
Depois continuamos até El acebo, originalíssimo com suas casas feitas todas em pedra, com ruazinhas estreitas. Lugar pequenino. Paramos para um lanche. Encontrei um senhor chateado pois não conseguia continuar o caminho. Estava com o joelho estoporado. Esperava condução para retornar. Infelizmente é o que acontece com muitos. Ninguém imagina até onde poderá chegar... É um testar dos limites cada dia. Dali em diante a paisagem era lindíssima, comtanhosa, com cerração mais adiante e, curvas e mais curvas e... peraus. Do carro deu medo e eu preocupada com o Igor ter que fazer tudo aquilo sozinho. E... se despencasse... Fiquei agoniada quando, ao chegarmos em Molina Seca ele ainda não havia chegado. Instalei-me num albergue e ia esperá-lo na entrada da cidade, mas, ao chegar na rua já o avistei e identifiquei ao longe pelo lenço vermelho. Que alegria!!!!!!!!!!!! Parecia um século que a gente não se via. Ele está com o pé inchado. Um peregrino ofereceu-se para fazer uma massagem e imposição de mãos. Me admirei que o Igor aceitasse pois não acredita em tratamento alternativo. Almoçamos e dormimos um pouco. Acordamos com uma chuva gostosa e trovões. A cama ficou ainda mais gostosa. À tarde lemos um pouco. Não saímos porque continuou a chuviscar.
Sonos interrompidos
Há 2 meses
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