terça-feira, 15 de junho de 2010

15/06/2009 - Segunda feira

Foi uma noite de muita, muita dor. Eu não sabia de que lado deitar para conseguir dormir. Não havia o que acalmasse a dor da minha perna esquerda. Já não era mais só o joelho, mas a perna toda. Onde encostasse em algo, na outra perna mesmo, num encosto improvisado para erguê-la, nada servia. Rolei assim por não sei quanto tempo. Tive vontade de levantar, de chorar,muuuuuuuuuuita coisa me passou pela cabeça. Rezei, tentei circular minha energia. Foi difícil. Mas... acabei dormindo e de manhã a pior dor passara. Levantei animada, tomei um Dorflex e às 7 hs, saímos rumo a Ribaldiso. Seriam mais ou menos 10 quilômetros. Foi uma caminhada gostosa, de florestas, sombras, sem sol até que surgissem umas subidas danadas. Se o Igor não fosse tão paciente eu nunca conseguiria. Fomos a passo de tartaruga e mesmo assim eu tinha que parar para respirar fundo. As descidas muito abruptas renovavam a dor da perna. Mas chegamos em Ribaldiso às 11 hs. Era onde pretendíamos ficar. O albergue fica à beira de um lindo rio. Àguas limpíssimas. Deu vontade de entrar, mas estava geladíssima. Engraçado que os rios daqui, mesmo em época de chuva tem águas cristalinas.
Como o albergue abriria só às 13 hs e faltassem só dois quilômetros até Arzua decidimos continuar. É sempre melhor caminhar com dor do que ficar esperando com dor, sem ter onde encostar. Mesmo assim, chegando em Arzua era meio dia. Como todos os outros, esse albergue só abriria às 13 hs. Já tinha uma fila de 31 mochilas. Tivemos sorte pois só havia 46 lugares. E apesar de haver tantos a nossa frente, pegamos umas camas num lugarzinho muito especial. Parecia um sótão.
Andando pela cidade visitamos a Capela de Madalena, antiquíssima, uma fonte ainda mais antiga, uma praça de plátanos com muitas pombas, onde conversamos muito tempo com uma senhora que mora em frente à praça. Seu nome Lola. Tentamos saber alguma coisa a respeito da cidade mas ela só falava da sua história pessoal e repetia sempre as mesmas coisas. Mais tarde fomos alimentar as pombas com restos do nosso pão velho. Eu queria que comessem na minha mão como papai, Tio Theobaldo e Tio Lauro faziam. Achava lindo quando pousavam em suas cabeças, braços, ombros para bicarem o milho de suas mãos. Eu, não consegui tanto. Ao anoitecer ficava mais frio. Fui então ao terço, à missa e a bênção dos peregrinos. Foi a primeira igreja em que uma senhora mais jovem conduziu o terço e fez os comentários. Nas demais eram sempre senhoras bem idosas. Igor foi ler o seu Dom Quixote que comprou em Portomarim.

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